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Marcel
Eis - desordenados - meus pensamentos. Desordenados, porque na conjugação de mim mesmo, me descubro incoerente e sem regras. Melhor assim! Sou disperso nas concordâncias e entre pontos e vírgulas, reticente... Mais que indeciso, sou indecente em confessar rimas. A quem interessas possa, há aqui um coração preenchido de sutil sentimento e presença constante. A esse amor, brindo. Como à vida.
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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

- Sufoca-me! – disse ela
Como se implorasse uma atenção demasiada,
Um pedido que lhe furte a cor dos olhos.
No dia anterior, curvara-se ao escuro,
Dera as mãos com o infinito,
Estivera em terra estranha
Procurando os braços dele
Entre o mofo do armário
No espelho de mão, atrás do bidê,
Na jardineira castigada pelo inverno.
Amanheceu ao lado dele,
Almoçou com o silencio.
Na ceia, um murmúrio, um grunhido,
Ela sorriu depois de longos anos
Mas seu sorriso não trouxe ao porta-jóias da memória
Os tesouros almejados pela alma.
- Então sufoca-me! – um grito em forma de exorcismo.
Como um quase sussurrar.
O trouxe pra perto de si. Tão perto.
Tão perto, tão dentro
Que o viu sumir em sua pele.
E ficou só.
Esquecida. Pesada e quente.
Preenchida e inundada por ele,
Finalmente abafada por dentro.

Luiz Marcel
27.10.09

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

PARTES


O tempo passa e o meu vazio pede remendos,

O meu desejo pede platéia,

O meu sonho pede cena.

A minha parte vontade é avassaladora,

A minha parte pecado é febril

Todas as horas são minhas, e, parte do tempo, perdido.


Por fora, sou todo amor, talvez cais.

Por dentro sou proveito, maré, defeito, colo e exaustão

Mas antes não fui, em cada instante que passou:

Porque o presente não tolera as mesmas falas (manias de passado),

E mesmo que se arraste, caia, canse,

Não há como tirar algumas horas pra se confortar nas lembranças

(coisas que vivemos só por viver, mas servem de saudade).


Não me fale da memória, essa senhora ranzinza que cria gatos.

Não me pergunte qual a dança, senão perco o passo.

Não me traga a esses cômodos aos quais o tempo chamou de lembrança.


Porque quando sou olhos, perco o tato e o tino.

Quando enxergo cada beco, cada ato, fico atado.

Quando desse céu rogo a ajuda, em forma de divindade é tudo chuva

Que eu cuido de secar.

E quando eu for chão, posso ser tua (ou aquela, ou daquela) estrada

Porque a pior parte de você sou eu.


Luiz Marcel


3º Lugar no Concurso de Poesia Falada, durante a XIV Exposição de Arte Contemporânea do Município.

quinta-feira, 27 de março de 2008

. da varanda .


Quando eu tinha em mim
O foco do olhar voltado em riste
Para as coisas que eram doces,
O meu amor cantava ao meu ouvido
Os silêncios entoados e mais belos
Que ouvi.

Os jardins eram lilases
E contrastavam com a dor que eu não sentia,
Pois então
Minha mão e tua mão
Eram uma só mão,
E meus pés cegos te seguiam
Pelas tábuas do assoalho.

No tempo em que eu era vida
E que a vida era essência em mim,
As nuvens eram mais claras
E eu não chovia tanto.
Mas meus olhos trovejavam de você
Por entre as noites de boemia
E lua nova.

Nos dias que eu vivia e só sentia
Os sorrisos já não eram tão forçados,
Os afagos já não eram tão cobrados,
Os meus medos já não tinham fundamento.
E no meio do enorme firmamento
Confundi seus abraços sufocantes
Com os receios que deveras carregava.

Hoje passo pela vida sem apego
E na cadeira, junto à morte, me desnudo
Nas noites de luar, sem companhia.
Ao meu lado, o amor já esquecido,
Aos meus pés, meu olhar desfalecido,
No meu colo, a velha fotgrafia.

Marcel
04/06/02

. pequeno poema para corações vazios .


Pequeno poema para corações vazios


Meço umas palavras loucas
e atiro-as pela janela.
As flores que brotam do jardim da casa do meu amor
já não são mais amarelas
e do céu da minha boca
jorram músicas, fotografias e cartas.
Não me importa o dia da semana
gregorianamente condizente
com a rotina repudiante.
Vou é viver a terça-feira
como uma sexta de céu azul
e cheiro de chuvisco e jasmim.
Criarei todas as palavras que você não me disse
e jogá-las-ei por debaixo da tua porta
junto com rosas vermelhas e copos de leite.
Escalo muros e arrisco rimas.
Não sou poeta e não sou rei,
porém,
tenho um castelo
de sonhos impossíveis
e canções de amor.

Marcel
22/05/02

. poema etílico .


Não brindemos.
Não comemoremos.
Porque a alma não resiste
e desiste.
Vamos vibrar à frente dos tolos,
vamos dançar no meio da rua,
vamos beber poesia
e fumar nossa cultura lírica.
Se não se pode namorar a noite,
que então os belos se arrumem pro dia
e mostrem com orgulho cacos de vidro
refletindo ao sol.

Vamos entornar paixões diabo a quatro
e cair nas calçadas
entrelaçados de amor amigo.
E se tivermos pressa
é porque a alma não pára
porque não tem passado.

E nós, tão defensores de nós mesmos,
não vemos a vida – etílica –
que nos vicia dia-a-dia.
Mas bebemos da noite em doses generosas
e disfarçamos a lágrima num sorriso tímido
(mas sincero).


Marcel
31/07/02

. refluxo .




A alma seca verdeja
sob a luz do espelho d´água dos olhos.
E por mais que se tente fugir
há que se admitir
que a íris castanha lateja
lânguida e triste,
numa pernoite sem ponteiros de relógios.

Pouco ou quase nada se diz.
Dentro de mim o calor dos trópicos
a congelar o escuro da calmaria
que se segue após o açoite
nas horas cinzentas que ardem ao passar.

É forçoso possuir o tempo
quando se almeja o infinito
tendo a paciência pousada nos ombros
como um pombo obtuso.

Não menos confuso,
afasto de mim qualquer desvario
e todo o peso que trago nas mãos.
Tento e tento não desbotar a cor do acolher,
sempre fugindo desse castanho escuro
tão profundo quando minhas dúvidas.

Quero estar longe no instante
Em que explodir a ressaca dos olhos.
Minto.
Eu quero, de perto,
Ser a dor de saber que se volta
Sempre que o corpo pede abrigo,
Amigo, nos braços do incerto.



Marcel



21/12/04
14/01/05
27/03/08

terça-feira, 4 de março de 2008

. das estrelas .

das estrelas


Deitada na grama, o céu empoeirado de estrelas. Passei o dedo e - curioso - algumas vieram grudadas na ponta. Olhei para cima e assoprei. Foi tanta estrela caindo que agora eu mal consigo enxergar de tanta esperança.


Rita Apoena


http://www.pequenascoisas.org/

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

. as frases geniais de vanilla sky .



"Cada segundo é uma oportunidade de mudar tudo!"

"Olhe para nós: Eu congelado, você morta. E eu ainda a amo."

"Ela é provavelmente a garota mais triste que já segurou um martini"

Quando ela chama ele e da-lhe um bjo e diz: "era para ser na testa"

"Este sorriso será a minha desgraça"

"open your eyes"

"Suporte técnico, eu quero acordar!"

"Isso é uma revolução da mente"

"Não se conhece o mel sem se provar do fel"

"Sentiram sua falta David"

"Te vejo em outra vida quando formos gatos"

"Eu te perdi, quando entrei naquele carro..."

"O que é felicidade para vc David? felicidade para mim é estar ao seu lado!"

"Sou um prorrogador de Prazeres"

sábado, 29 de dezembro de 2007

. de 2008 .

Para 2008:

livro com dedicatória;
névoa;
gaivota na areia;
telegrama de amor;
ganhar uma herança;
começar um caderno novo;
banquinho que gira;
mulher com pinta na boca;
dia livre;
viajar sem destino;
escrever um diário;
enfiar a mão num saco de grãos;
armazém antigo;
transmissão de pensamento;
Amarula com gelo;
lençóis brancos;
dar uma estrela;
Yves Saint Laurent;
compartilhar um segredo;
confeitarias;
caneta bic;
matar saudade;
leões-marinhos;
ir no banco da frente do carro;
carro conversível;
confiar em alguém;
voz rouca;
pisar na grama;
chafariz;
se espreguiçar;
andar de bicicleta;
cheiro de Sundow;
feriado no meio da semana;
cantar no chuveiro;
levar um animal abandonado para casa;
fazer uma tatuagem;
ver um esquilo;
banho de banheira em hotel;
mergulhar no mar;
rúcula;
fazer um canteiro de flores;
saber dançar música caribenha;
pendurar meias na lareira pra usá-las antes de dormir;
boiar olhando o céu;
lago com vitórias-régias;
conhecer uma igreja antiga;
nosso próprio travesseiro;
poemas de amor;
fogos de artifícios;
desenhar;
dançar quadrilha;
neve;
fumaça que escreve coisas no céu;
sonhar e lembrar do sonho depois;
tomar água da fonte com as mãos;
descobrir desenhos nas nuvens durante viagem de carro;
anoitecer em cidade do interior;
filme de Almodovar;
reconhecer as estrelas do céu;
comida feita na hora;
dia chuviscando;
ver artista na rua;
coincidências;
árvores centenárias;
“Mãe, cheguei”, de madrugada;
passear com cachorro;
abrir presente;
fogueira de festa junina;
ganhar uma aliança;
beijar na chuva;
letra bonita;
foto da gente criança;
chorar no cinema;
reencontrar amigo de infância;
empada de palmito;
não precisar acordar cedo no fim-de-semana;
adotar um vira-lata.

Que 2008 você viva muitos momentos deleitáveis.


Marcel.